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SIMBOLISMO NO DESTINO HUMANO
SE os seres humanos não se deixassem empolgar de maneira tão absorvente pelas necessidades e pelas muitas ninharias cotidianas, mas quisessem prestar também alguma atenção aos pequenos e grandes acontecimentos que se passam à sua volta, deveria em breve chegar-lhes um novo reconhecimento. Surpreender-se-iam consigo mesmos e mal acreditariam que até então pudessem ter passado impensadamente por coisas tão marcantes.
Existem, de fato, razões de sobra para que, cheios de compaixão de si mesmos, meneiem as cabeças. Com um pouco de observação apenas, descortinar-se-lhes-á de súbito todo um mundo de acontecimentos vivos, severamente coordenados, deixando perceber nitidamente uma direção firme de mão superior: o mundo do simbolismo!
Este se acha profundamente enraizado na parte de matéria fina da Criação, e apenas suas derradeiras extremidades, quais ramificações, entram na parte terrena visível. É como num mar, que aparenta estar absolutamente calmo e cujo movimento contínuo não se percebe, só podendo isso ser notado nas beiradas, em seus últimos efeitos.
O ser humano não pressente que, mediante reduzido esforço através de um pouco de atenção, é capaz de observar claramente a atividade do carma para ele tão incisivo e por ele tão temido. Possível lhe é tornar-se mais familiarizado com isso, com o que, pouco a pouco, o medo, muitas vezes brotado dos seres humanos que pensam, se desfaz com o tempo, perdendo o carma seu terror. Para muitos isso poderá tornar-se um caminho pelo qual conseguirão seguir para a escalada, se aprenderem a sentir, através dos fenômenos terrenalmente visíveis, as ondulações mais profundas da vida de matéria fina, com o que surge com o tempo a convicção da existência de efeitos recíprocos absolutamente lógicos.
Tão logo atinja tal ponto, o ser humano se adaptará lentamente, passo a passo, até que por fim reconheça a força propulsora, lógica e sem falhas da consciente vontade divina em toda a Criação, portanto no mundo de matéria grosseira e de matéria fina. Contará de então por diante com ela e se submeterá a ela deliberadamente. Isto significa para ele um flutuar na força, cujos efeitos somente lhe podem ser proveitosos. Ela lhe serve, porque sabe utilizá-la, ao mesmo tempo em que ele próprio se adapta corretamente.
Dessa forma, o efeito recíproco apenas pode desencadear-se como portador de felicidade para ele. Sorrindo, verá concretizar-se literalmente cada palavra bíblica que, em sua simplicidade infantil, às vezes queria se tornar para ele uma pedra de tropeço, que, por essa razão, para o seu cumprimento, muitas vezes lhe parecia difícil, porque, segundo a sua opinião de até então, exigia mentalidade de escravo. A exigência de obedecer, por ele intuída de modo desagradável, transforma-se pouco a pouco, ante seus olhos tornados lúcidos, na distinção mais alta que possa acontecer a uma criatura; numa verdadeira dádiva divina, que encerra a possibilidade dum desenvolvimento enorme de força espiritual, consentindo numa cooperação pessoal e consciente na maravilhosa Criação.
As expressões: “Somente aquele que se rebaixa a si próprio será elevado”, o ser humano deve “humildemente curvar-se diante de seu Deus”, a fim de poder ingressar no Seu reino, ele deve “obedecer”, “servir” e o que ainda mais existe de conselhos bíblicos, chocam de início um pouco a pessoa moderna, devido a essa maneira de expressão singela, infantil e, no entanto, tão acertada, porque ofendem seu orgulho inerente à consciência do saber intelectual. Não quer mais ser conduzida tão às cegas, mas ela própria, reconhecendo, quer cooperar em tudo conscientemente, a fim de adquirir, por convicção, entusiasmo interior, indispensável para tudo quanto é grande. E isto não é nenhum erro!
O ser humano deve, em seu desenvolvimento progressivo, estar de modo mais consciente na Criação do que até agora. E quando com alegria acabar reconhecendo que as singelas expressões bíblicas, em sua maneira tão estranha à época de hoje, aconselham exatamente tudo aquilo a que ele também se decide de modo voluntário e com plena convicção, conhecendo as poderosas leis da natureza, então lhe cai como que uma venda dos olhos. Encontra-se abalado diante do fato de que até então apenas condenara as antigas doutrinas por havê-las interpretado de modo errado, jamais procurando seriamente penetrar nelas de modo certo, harmonizando-as com a atual capacidade de concepção.
Quer se diga: “Curvar-se com humildade à vontade de Deus”, ou “servir-se da maneira e do atuar das poderosas leis da natureza, após conhecê-las acertadamente”, é o mesmo.
O ser humano só pode aproveitar-se das forças portadoras da vontade de Deus se as estudar direito, isto é, se as reconhecer e orientar-se por elas. O contar com elas ou orientar-se por elas é, porém, na realidade, nada mais do que um adaptar-se, portanto, um curvar-se! Não se colocar contra essas forças, mas seguir com elas. Só quando o ser humano adapta o seu querer às características das forças, isto é, segue a mesma direção, consegue ele utilizar-se do poder dessas forças.
Isso não significa subjugar as forças, e sim curvar-se humildemente à vontade divina! Quando o ser humano atribui tanta coisa à sua própria perspicácia ou às conquistas do saber, em nada altera o fato de que tudo apenas significa um assim chamado “descobrir” de efeitos das leis naturais vigentes, isto é, da vontade divina, que a pessoa com isso “reconheceu” e, concomitantemente com o aproveitamento e aplicação, “sujeita-se” a essa vontade. Isso é incondicionalmente um curvar humilde diante da vontade de Deus, um “obedecer”!
Contudo, agora ao simbolismo! Todos os acontecimentos na Criação, isto é, na matéria, têm de atingir no seu curso circular um termo certo ou, como se pode dizer também: devem fechar-se num círculo. Por isso, de acordo com as leis da Criação, tudo só poderá encontrar sua conclusão voltando incondicionalmente ao ponto de partida, isto é, dissolvendo-se, remindo-se ou extinguindo-se como algo atuante. Assim se dá com a Criação global, como com qualquer fenômeno individual. Disso se origina o efeito recíproco incondicional, que por sua vez acarreta o simbolismo.
Já que todas as ações devem terminar lá onde tiveram origem, depreende-se, outrossim, que toda ação deve terminar também na mesma espécie de matéria em que se originou. Portanto, aquilo que começou na matéria fina tem de terminar na matéria fina, e aquilo que teve origem na matéria grosseira tem de terminar na matéria grosseira. As criaturas humanas não conseguem ver a matéria fina; é-lhes visível, sim, o final de cada acontecimento de matéria grosseira, mas para muitos falta a chave apropriada para tanto, isto é, o começo, que na maioria dos casos se encontra numa existência anterior de matéria grosseira.
Mesmo que também nisto a maior parte de todo o desenrolar do efeito recíproco se dê apenas no mundo de matéria fina, o carma que desse modo funciona jamais poderia encontrar uma remição total, se o fim não se inserir de alguma forma no mundo de matéria grosseira, tornando-se ali visível. Um círculo em curso somente pode ser fechado com um procedimento visível, correspondente ao sentido da reciprocidade, resultando então a completa remição, pouco importando se de acordo com o começo, outrora, ela seja boa ou má, traga felicidade ou infelicidade, bênçãos ou perdão pelo remate. Esse último efeito visível tem de se realizar no mesmo lugar onde se deu a origem, isto é, no ser humano, que por qualquer ação deu começo a isso. Em caso algum poderá isso ser evitado.
Se nesse ínterim a respectiva criatura humana tiver se modificado interiormente, de tal modo que nela se tornou vivo algo melhor do que fora o ato de outrora, então o efeito retroativo em sua espécie não pode ancorar-se nela. Não encontra mais terreno de igual espécie na alma que se esforça em ascender, a qual se tornou mais luminosa e com isso mais leve, segundo a lei da gravidade espiritual. *
A conseqüência natural é que um efeito mais turvo, ao aproximar-se, é impregnado pelo ambiente mais luminoso da respectiva pessoa e com isso substancialmente enfraquecido. Ainda assim, contudo, a lei da circulação e da reciprocidade tem de se cumprir plenamente, com sua força de atuação automática. Uma revogação de qualquer das leis naturais é impossível.
Eis por que uma reciprocidade assim enfraquecida em seus efeitos de retorno terá, de acordo com as leis imutáveis, de se manifestar visivelmente também na matéria grosseira, a fim de realmente ser remida, isto é, extinta. O fim tem de refluir ao começo. Mas o carma obscuro não poderá causar males à respectiva pessoa por causa do âmbito clareado, acontecendo assim que esse efeito recíproco enfraquecido somente passe a atuar de tal modo no ambiente mais próximo, que o atingido se vê na contingência de fazer voluntariamente algo, cuja natureza apenas corresponda ao sentido da reciprocidade em retorno.
A diferença com relação à intensidade propriamente integral, do efeito a ele destinado, da correnteza obscura de retorno, é que não lhe causa nenhuma dor ou dano, mas talvez até proporcione alegria.
Isto é então um remate puramente simbólico de algum carma pesado, mas correspondendo de modo perfeito às leis da Criação, devido à mudança do estado de alma, atuando dessa forma automaticamente. Por essa razão muitas vezes também para a maioria dos seres humanos isso permanece totalmente inconsciente. Com isso o carma se remiu e a justiça inquebrantável foi satisfeita em suas mais delicadas correntezas. Nesses processos naturais, segundo as leis da Criação, encontram-se tamanhas ações de graça como somente a onisciência do Criador poderia realizar em Sua obra perfeita.
Verificam-se muitos desses remates, puramente simbólicos, de efeitos recíprocos, que do contrário atingiriam pesadamente! Tomemos um exemplo: uma pessoa de caráter outrora duro e despótico, oprimindo com o exercício dessas características os seus semelhantes, acumulou sobre si um carma pesado que, vivo em seu modo específico, seguindo o seu curso circular, tem de recair sobre ela muitas vezes aumentado, de idêntica maneira.
Ao aproximar-se, essa correnteza de matéria fina de implacável despotismo, muitas vezes enormemente aumentada, impregnará, devido à lei de atração de igual espécie, todo o ambiente de matéria fina da respectiva pessoa, de tal modo, que atua de maneira incisiva sobre o ambiente de matéria grosseira ligado estreitamente a ela, criando assim circunstâncias que obrigam o causador de outrora a sofrer de modo muito maior, sob idêntico despotismo, do que seus semelhantes, por ele atormentados em tempos passados.
Mas se nesse ínterim, tal ser humano tiver chegado a melhor reconhecimento, obtendo, mercê de esforços sinceros para a escalada, um âmbito luminoso e mais leve, com isso é lógico que se altera também a espécie dos últimos efeitos. As trevas mais densas que voltam serão perpassadas com maior ou menor intensidade pela Luz, de acordo com a luminosidade do novo ambiente da respectiva pessoa; por conseguinte, serão eliminadas de modo mais ou menos eficiente. Se a antiga pessoa despótica tiver se elevado bastante, isto é, na hipótese duma regeneração extraordinária do culpado, pode até suceder que o efeito propriamente dito seja como que anulado e que ele apenas passageiramente faça algo, que, de acordo com a aparência externa, se assemelhe a uma expiação.
Suponhamos que se trate duma mulher. Bastaria que uma vez tomasse a escova das mãos da criada para mostrar-lhe, com toda a amabilidade, de que modo deveria o assoalho ser esfregado. Mesmo que sejam apenas poucos os movimentos nesse sentido, bastarão como símbolo de servir. Essa pequena ação resulta num remate que precisava processar-se de modo visível e que, não obstante sua leveza, é capaz de pôr termo a um pesado carma.
De idêntico modo pode a modificação dum único quarto tornar-se o símbolo do remate e do levantamento duma culpa cuja penitência ou retorno, propriamente, teria requerido uma transformação maior, dolorosamente incisiva. Tais fatos resultam, de qualquer forma, das influências enfraquecidas de um efeito retroativo; ou ações ocasionais são também habilmente utilizadas pelos guias espirituais para conduzir a uma absolvição.
Fica pressuposto em tudo isso que já se tenha realizado uma extraordinária melhora, bem como a transformação do estado anímico a isso ligado. Circunstâncias que um astrólogo naturalmente não consegue levar em conta, razão pela qual muitas vezes vai produzir preocupações desnecessárias com os seus cálculos, às vezes tamanho medo até, que somente o seu volume já é capaz de causar e formar algo desagradável, com o que, aliás, apenas aparentemente um cálculo então se realiza, o qual, não fora esse medo, pelo contrário, ter-se-ia patenteado como errado. Mas em tais casos a respectiva pessoa, propriamente, foi quem abriu uma porta no círculo luminoso que a rodeia, devido a seu medo.
Onde ela própria estender voluntariamente a mão além do envoltório protetor, não lhe poderá advir auxílio de nenhum lado. Sua própria vontade é que rompe de dentro para fora cada proteção, ao passo que de fora, sem a sua própria vontade, nada poderá atingi-la, através da Luz.
Assim, pois, o mínimo favor prestado aos seus semelhantes, um sentimento sincero de compaixão pelo próximo, uma única palavra amistosa, podem formar remições simbólicas para um carma, desde que interiormente seja formada como base a vontade sincera para o bem.
Isso tem de preceder, evidentemente, pois do contrário não se poderia falar duma remição simbólica, porque tudo o que estivesse em refluxo então se efetuaria de modo total em todos os sentidos.
Mas, tão logo se inicie na criatura humana realmente a vontade sincera para a escalada, muito em breve poderá observar como, pouco a pouco, se manifesta mais e mais vida em seu ambiente, como se lhe fossem colocadas no caminho toda sorte de coisas, as quais, no entanto, terminarão sempre bem. Dá-lhe na vista até. Advirá, do mesmo modo, por fim, um período visível de mais calma ou quando todos os acontecimentos, nitidamente reconhecíveis, servem também para progresso terreno. Então passou a época das remições.
Com alegre agradecimento pode entregar-se à idéia de que muita culpa se lhe desprendeu, que doutro modo deveria ter penitenciado pesadamente. Deve então estar vigilante, a fim de que todos os fios do destino, que pela sua vontade e pelo seu desejar de novo ata, sejam apenas bons, para que também lhe possa atingir apenas o que é bom!
* Dissertação: “Destino”.
MENSAGEM DO GRAAL
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